Pastor é condenado à prisão após acusação de blasfêmia na Indonésia
- 14/08/2026

Um pastor foi condenado a dois anos de prisão após ser acusado de blasfêmia por muçulmanos na Indonésia.
Segundo o Morning Star News, o Tribunal de Banda Aceh decidiu que o pastor Dedi Saputra cometeu "de forma convincente" crime de blasfêmia, sob a Lei nº 1 de 2023 do Código Penal da Indonésia.
A sentença foi divulgada em 10 de julho, mas Saputra está preso desde fevereiro deste ano.
Dedi Saputra, de 31 anos, é um ex-muçulmano da província de Aceh e servia como pastor na vila de Suka Maju, distrito de Sungai Betung.
O caso começou após o pastor compartilhar um vídeo no TikTok falando sobre sua conversão à fé cristã.
Em um vídeo postado em sua conta no TikTok, o pastor Saputra, respondendo a uma pergunta sobre sua conversão, afirmou: "Muhammad, antes de se tornar profeta, tinha apenas uma esposa, mas quando se tornou profeta, tinha dezenas de esposas”.
Diversas organizações islâmicas e governamentais de Aceh, incluindo o Escritório da Sharia Islâmica e Unidade de Polícia do Serviço Civil, registraram um boletim de ocorrência contra o pastor.
O conteúdo do vídeo foi considerado como uma blasfêmia ao Islã e Saputra foi preso em 18 de fevereiro, quando voltava para casa com a esposa após comprar suprimentos para sua igreja.
O pastor foi detido no Resort da Polícia de Bengkayang e na sede da Polícia Regional de Kalimantan Ocidental, inicialmente. Logo depois, ele foi transferido de avião para a sede da Polícia Regional de Aceh em 20 de fevereiro.
Liberdade religiosa
O processo legal contra o pastor durou apenas 142 dias em Aceh, a única província com autonomia para implementar a sharia (lei islâmica).
Grupos de direitos humanos apelaram ao governo indonésio para alterar ou eliminar a lei de blasfêmia, declarando que a legislação fere os padrões internacionais de direitos humanos e afetam minorias religiosas.
A Comissão dos Estados Unidos para a Liberdade Religiosa Internacional (USCIRF) chegou a colocar o pastor Dedi Saputra na lista de presos por atividade religiosa.
A Voz dos Mártires e outros grupos que defendem a liberdade religiosa também denunciaram o caso, expressando preocupações sobre o uso de leis de blasfêmia para atingir minorias religiosas na Indonésia.
A missão Portas Abertas informou que, nos últimos anos, a sociedade na Indonésia tem adotado um caráter islâmico mais conservador, e igrejas envolvidas em atividades evangelísticas correm o risco de se tornar alvo de grupos extremistas islâmicos.
A Indonésia ocupa o 59° lugar na Lista Mundial da Perseguição 2026 da Portas Abertas de países mais difíceis para ser cristão.


